Pistas e perguntas
O que os papéis sugerem mas ainda não provam, e onde talvez estejam as respostas. Se você tem um documento, uma foto ou uma lembrança que ajude, ela vale ouro.
O que ainda não sabemos
- Os pais de Gines. A família diz que eram Ginés Ponce Martínez e Catalina Navarro. Um Ginés Ponce Martínez aparece como proprietário em Cuevas entre 1865 e 1889, vizinho das terras dos Alarcón — provavelmente é ele, mas falta o documento que ligue pai e filho. A resposta deve estar nos livros da paróquia de Cuevas del Almanzora (batismo de Gines, por volta de 1872, e casamento de Gines e Maria Josefa, por volta de 1885-86), guardados no Arquivo Diocesano de Almería.
- As datas exatas de nascimento de Gines e de Maria Josefa.
- A morte de Gines e de Maria Josefa. Ambos já tinham morrido em setembro de 1948. Para Gines há duas possibilidades: 2 de agosto de 1948, sem documento, ou um óbito em Sales Oliveira (SP) num mês de agosto de ano incerto.
- O primeiro casamento de Lourenço, com Eugenia Gualda Martins, em 1918: o que aconteceu depois.
- A morte de José Ponce Alarcón e a de sua mulher, Maria da Silva Ramos.
- Os netos que só a família lembra. Muitos nomes da árvore feita em 2015 ainda não estão no FamilySearch, sem datas nem lugares.
O provável pai de Gines: Ginés Ponce Martínez
Em Cuevas existiu, de fato, um Ginés Ponce Martínez na época certa. Em 6 de julho de 1865 ele assinou, ao lado de Francisco Ponce Martínez — provavelmente seu irmão —, uma mensagem dos moradores de Cuevas à rainha Isabel II, publicada em Madri pelo jornal católico El Pensamiento Español. Nos anos seguintes, o mesmo nome aparece nas escrituras de Vera: em 1866 ele era dono da “casa número 42” no pago de Los Cervelleras, e em 1870 e 1874 tinha terras irrigadas na mesma huerta onde José Alarcón Ponce — o pai de Maria Josefa — compraria terra em 1871. Em 1889 ainda vendia uma propriedade. Tudo encaixa; falta o papel que diga “Ginés Ponce Navarro, hijo de Ginés Ponce Martínez y de Catalina Navarro”.
Um possível tio de Lourenço: Antonio Ponce Navarro
Em 2 de julho de 1901, o jornal El Minero de Almagrera, de Cuevas, contou um acidente: Antonio Ponce Navarro, morador do povoado de Guazamara, levava uma carreta de vacas carregada de móveis quando ela tombou e o prendeu pelo pescoço. Dois guardas civis que passavam o tiraram quase asfixiado. O nome chama a atenção: é o mesmo sobrenome duplo de Gines. Antonio pode ter sido um irmão que ficou em Cuevas — mas a combinação Ponce Navarro era comum na vila, e a notícia não dá idade nem pais.
Outros Ponce Navarro de Cuevas
Nos livros de hipotecas da década de 1830 aparecem dois homens chamados Ginés Ponce Navarro — um “mayor” e um “menor” —, e um deles morreu antes de 1851, deixando a viúva Lucía Pérez Carmona e filhos pequenos. Em 1886, um edital do juiz de Cuevas cita terras dos “herdeiros de D. Diego Ponce Navarro” e uma casa na rua de las Angustias com usufruto de Juan Ponce Navarro. Pela idade, os Ginés das décadas de 1830 e 1840 seriam da geração dos avós ou bisavós do nosso Gines. Nenhum desses parentescos está provado.
Do lado Alarcón
Em 1905, o juiz de Cuevas publicou o furto de três burras de Bartolomé Alarcón Ponce, morador da Diputación del Jaroso — talvez um irmão de José Alarcón Ponce. E há um parentesco que os documentos mostram: a irmã de Maria Josefa, Josefa Alarcón, casou-se com um Lorenzo Ponce e foi viver em La Unión (Múrcia), onde batizaram a filha Ana María em 1900 e, ao que tudo indica, um filho chamado Lorenzo Ponce Alarcón em 1890. O nosso Lourenço teve, portanto, um primo com exatamente o mesmo nome.
Os que não são da família
Um soldado do Regimento de Artilharia nº 62 chamado Ginés Ponce Navarro recebeu em 1946 a Cruz de Prata do Mérito Militar — mas era um rapaz em serviço ativo, enquanto o nosso Gines já tinha morrido. Também não têm ligação com Cuevas um Pedro Ponce Navarro, músico militar em Gerona, e um José Ponce Navarro, carabineiro em Valência e Barcelona. E o Ginés Martínez enterrado em Cartagena em 1815, “marido de Catalina Navarro”, morreu cinquenta anos antes do nascimento do nosso Gines: a coincidência de nomes é só isso. (No FamilySearch, o perfil do pai de Gines ainda traz as datas desse homônimo.)